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Nação | Saiba Mais – Luiz Gama

Um herói da luta pela liberdade

Veja aqui:

Luiz Gama: o precursor do abolicionismo no Brasil (biografia)

Instituto Luiz Gama

Orfeu de Carapinha (poesias)

Luiz Gama e a imprensa abolicionista

Ilustrações e livros sobre Luiz Gama e Luísa Mahin

Assista na íntegra ao programa Nação sobre Luiz Gama

O Nação do dia 3 de julho de 2015 contou a história de Luiz Gama e Luísa Mahin. O programa mostra a trajetória do advogado e jornalista Luiz Gama, um escritor renomado e um dos maiores abolicionistas do país, mesmo após ter sido vendido como escravo pelo próprio pai. E da sua mãe, a quitandeira africana, que é considerada por muitos uma verdadeira rainha e uma das articuladoras da Revolta dos Malês. Duas figuras importantes para a história do Brasil, que não tiveram suas lutas reconhecidas.

Luiz Gama: o precursor do abolicionismo no Brasil (biografia)

Foto Luiz Gama

Luiz Gama (1830-1882) nasceu livre, foi vendido pelo pai aos 10 anos, aos 17 aprendeu a ler e a escrever e aos 29 já era um autor consagrado.No livro “O Precursor do abolicionismo no Brasil: Luiz Gama” de Sud Mennucci, o autor traça uma biografia do grande abolicionista, destacando seu papel na luta pela extinção do cativeiro, como advogado, jornalista e orador, e seu lugar na literatura brasileira, como grande poeta satírico e político. A obra faz parte do acervo do projeto Brasiliana Eletrônica da UFRJ (brasiliana.com.br) e inclui a carta escrita a pedido do amigo Lucio de Mendonça, na qual Luiz Gama narra a história de sua vida:“… Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa Mina, (Nagô de Nação) de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã…”.

Leia aqui a biografia completa de Luiz Gama.

Capa do livro O precursor do abolicionismo no Brasil

Instituto Luiz Gama

“O quê a gente quer é dar os instrumentos necessários para que as pessoas que vivem a margem desse processo e que são as mais afetadas pelas crises econômicas e politicas, possam encontrar uma alternativa.” *

A luta de Luiz Gama serviu de inspiração para a criação do instituto que leva o seu nome (www.institutoluizgama.org.br). A organização criada por um grupo de juristas, acadêmicos e militantes de causas sociais presta assessoria jurídica aos movimentos sociais dando pareceres sobre questões que envolvem principalmente discriminação racial e de gênero. Para saber mais sobre as atividades desta entidade confira acima um trecho inédito da entrevista de Sílvio de Almeida ao programa Nação.

*Sílvio de Almeida, presidente do Instituto Luiz Gama, é advogado, professor universitário, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito (USP), bacharel em Filosofia (USP), consultor técnico da Federação Quilombola do Estado de São Paulo,especialista em Direito Empresarial e Terceiro Setor.

Orfeu de Carapinha

A poesia de Luiz Gama transcorre na primeira pessoa, sem esconder a própria origem e sem deixar de proclamar sua negritude.Segundo Roberto de Oliveira Brandão: “sua poesia vem, assim, a destruir, denunciar e deformar o mundo de injustiças que o cerca”. Luiz Gama dominava tanto a poesia lírica, quanto satírica, o quê lhe valeu o apelido de “Orfeu da Carapinha” uma alusão ao poeta Orfeu (personagem da mitologia grega) e ao seu cabelo crespo.

Em 1859, quando trabalhava na Secretária de Polícia de São Paulo, Luiz Gama publicou  suas sátiras no livro “Primeiras Trovas Burlescas”, com o pseudônimo de Getulino. É nesta obra que encontramos um dos poemas mais conhecidos de Gama denominado “Quem sou eu?” ,ou, popularmente  chamado de “Bodarrada”, nome este que vem da palavra “bode” que na gíria da época significava mulato, negro. Abaixo mostramos um pequeno trecho deste poema transcrito do original publicado em 1859 e portanto de acordo com as regras da Língua Portuguesa vigentes na época. A obra “Primeiras Trovas Burlescas” de Luiz Gama pode ser lida na íntegra no site da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da USP.

Livro: Primeiras trovas burlescas de Getulino Luiz Gama - 1859

Trecho do poema Quem Sou Eu? (Bodarrada)
de Luiz Gama

Eu bem sei que sou qual Gryllo,
De maçante e máo estylo;
E que os homens poderosos
D’esta arenga receiosos
Ham de chamar-me—tarello,
Bóde, negro, Mongibello;
Porém eu que não me-abalo,
Vou tangendo o meu badalo
Com repique impertinente,
Pondo a trote muita gente.
Se negro sou, ou sou bode
Pouco importa. O que isto póde?
Bodes ha de toda a casta,
Pois que a espécie é muito vasta.
Ha cinzentos, ha rajados,
Bayos, pampas e malhados,
Bodes negros, bodes brancos,
E, sejamos todos francos,
Uns plebeus, e outros nobres,
Bodes ricos, bodes pobres,
Bodes sábios, importantes,
E tambem alguns tratantes…
Aqui, n’esta boa terra,

Marram todos, tudo berra;”

Luiz Gama e a imprensa abolicionista

Charge original do Diabo Coxo  com Luiz Gama

Charge original do Diabo Coxo com Luiz Gama

Luiz Gama escreveu para diversos jornais que propagavam os ideais republicanos e abolicionistas e também para a grande imprensa da época. Em um célebre artigo em solidariedade a outro abolicionista, José do Patrocínio, atacado por ser mulato, Luiz Gama publicou na Gazeta do Povo em 1880:

Em nós até a cor é um defeito, um vício imperdoável de origem, o estigma de um crime; e vão ao ponto de esquecer que esta cor é a origem da riqueza de milhares de salteadores, que nos insultam; que esta cor convencional da escravidão, como supõem os especuladores, à semeIhança da terra, ao través da escura superfície, encerra vulcões, onde arde o fogo sagrado da Iiberdade .

Segundo , Ana Flávia Maqalhães Pinto , em seu artigo “De pele escura e tinta preta: a imprensa negra do século XIX” , “a denúncia de discriminação racial fundamentava a manifestação de Luiz Gama, que poderia ganhar forças à medida que os negros escravizados ganhassem total liberdade.”

Entre 1864 e 1865 redigiu e dirigiu o jornal Diabo Coxo, juntamente com o caricaturista italiano Angelo Agostini. Este jornal humorístico ilustrado foi o primeiro do gênero na cidade de São Paulo. As edições do Diabo Coxo foram digitalizados e reunidos na obra “ Diabo Coxo: São Paulo, 1864-1865: edição facsimilar que está disponível para a leitura ou download no site da Biblioteca Nacional. Os exemplares do jornal podem ser acessados a partir da página 21 do livro.

Ilustrações e livros sobre Luiz Gama e Luísa Mahin

Navegue pelas gravuras especialmente criadas pelo ilustrador Thiago Krening para o programa Nação.E veja também dicas de livro sobre Luiz Gama e Luiza Mahin.

Capa do livro Com a palavra, Luiz Gama:Poemas, Artigos, Cartas e MáximasCom a palavra, Luiz Gama:Poemas, Artigos, Cartas e Máximas
Luiz Gama (autor), Lígia Fonseca Ferreira (org) – Imprensa Oficial, 2011
A obra tem por objetivo resgatar as contribuições literárias, culturais e políticas de Luiz Gama. Reúne textos integrais de Gama, um conjunto de poemas, artigos, cartas e ensaios a ele dedicados por seus contemporâneos, dividido em seis capítulos, cada um deles com textos explicativos da autora.

Uma seleção de textos sobre Gama, escrito por Lúcio de Mendonça e Valentim Magalhães, pretendem aprofundar aspectos de sua personalidade, de seu engajamento na luta pela igualdade e pelos direitos civis e de sua atuação política.

Capa do livro Luiz Gama, O Advogado dos EscravosLuiz Gama, O Advogado dos Escravos
Nelson Câmara-Lettera.doc, 2010
Do advogado Nelson Câmara, “Luiz Gama: O Advogado dos Escravos”, com prefácio de Miguel Reale Júnior, agrega à biografia transcrições das defesas de Gama, garimpadas no arquivo do Tribunal de Justiça de SP.

Revela como usou com astúcia as leis do Império para libertar seus clientes, que, mostra a pesquisa, não eram apenas negros -a estes ele atendia de graça.Previsto em lei desde 1832, o habeas corpus foi usado à exaustão pelo abolicionista, de forma pioneira, segundo o autor.

Capa do livro Luiz Gama - Coleção Retratos do Brasil NegroLuiz Gama – Coleção Retratos do Brasil Negro
Luiz Carlos Santos, Selo Negro, 2010
Não faríamos favor algum a Luiz Gama se o comparássemos a Zumbi dos Palmares na disposição de luta que teve contra a escravidão. Filho de uma guerreira negra, Luiza Mahin, e de um senhor de engenho, Gama é protagonista de uma das mais interessantes histórias de vida, que tem como pano de fundo a presença negra no Brasil.

Esta obra faz parte da Coleção Retratos do Brasil Negro, coordenada por Vera Lúcia Benedito, mestre e doutora em Sociologia/Estudos Urbanos pela Michigan State University (EUA) e pesquisadora e consultora da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. O objetivo da Coleção é abordar a vida e a obra de figuras fundamentais da cultura, da política e da militância negra.

Capa do livro Luiz Gama - A Luta de Cada umLuiz Gama – A Luta de Cada um
Myriam Fraga – Callis Editora, 2005
Este livro conta a história de um extraordinário mulato baiano, que com muita determinação e inteligência venceu os obstáculos da escravidão, defendeu os seus direitos e batalhou pela liberdade dos negros: Luiz Gama.

 

 

 

Capa do livro Luiz Gama: o libertador de escravos e sua mãe libertária, Luíza MahinLuiz Gama: o libertador de escravos e sua mãe libertária, Luíza Mahin
Mouzar Benedito – Expressão Popular, 2006
Pouco se conhece da história de importantes escravos que lutaram ativamente pela libertação de todos, como é o caso da culta e combativa escrava Luíza Mahin, que participou da revolta dos malês (1835) e da Sabinada (1837), e do seu filho, Luiz Gama, o abolicionista que, já no século 19, lavraria um dos mais ousados e libertários pareceres da nossa História: “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”.

Capa do livro O precursor do abolicionismo no Brasil

O precursor do abolicionismo no Brasil :Luiz Gama
Sud Mennucci – Companhia Editora Nacional, 1938
O autor, reconhecido educador paulista, traça no livro a biografia do grande abolicionista negro Luiz Gama (1830-1882), destacando seu papel na luta pela extinção do cativeiro, como advogado, jornalista e orador, e seu lugar na literatura brasileira, como grande poeta satírico e político.

Assista na íntegra ao programa Nação sobre Luiz Gama




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